O Violão Gaúcho e Suas Identidades
O violão tal como conhecemos hoje, foi criação de um luthier espanhol chamado Antônio Torres, a pedido do maravilhoso Francisco Tárrega, ainda no sec. XIX.
Antes disto tínhamos a guitarra Romântica, a Guitarra Barroca, a Vihuella, enfim, uma
variantes infindáveis, como diferentes afinações, tamanhos e números de cordas
indefinidos.
A Historia guarda nomes como Mauro Giuliani, Fernando Sor,
Regondi, Paganini, enfim, várias centenas de grandes artistas que criaram repertórios
e técnicas que hoje são estudados por
violonistas do mundo inteiro. Como
exemplo disto, na musica flamenca Paco de Lucia, no Jazz Django Reinhardt, na
musica clássica Andrés Segovia, no choro Baden Powell. Mesmo na musica Russa, , Japonesa, africana, o violão é o instrumento obrigatório e
preferido. Talvez pela sua beleza sonora, talvez pela prática portabilidade.
O interessante de tudo isto é que desde o avento das mídias
como o radio, a tv o vinil, o CD, a
internet, etc , as linguagens musicais passaram
a se misturar rápido e infinitamente, como uma cadeia química impossível de ser
cessada. O Flamenco adquiriu elementos do Jazz, o Jazz absorveu elementos de
varias culturas e assim muitas linguagens musicais apropriaram-se de novas
possibilidades.
Esta nova fase de mutação da musica atingiu também nossa
musica gaúcha.
No final do sec. XIX, a música urbana de Porto Alegre era
praticamente polcas e choros. O samba estava começando, ainda era muito
recente. Nosso principal violonista era
Octavio Dutra, um musico multi
instrumentista que fazia de tudo, desde concertos ate comerciais nas rádios (os
reclames).
La pela década de 50 começou a moda da musica Gaúcha, e com
isto uma nova fase, baseada no radio e no vinil.
Tivemos outros grandes, como Antoninho Duarte, que tocava
bailes em um violão elétrico. Ia do vaneirão ao choro, e tudo era considerado
musica gaúcha.
Depois, em por 71, veio a Califórnia da Canção, revelando
novos valores. Apareceram logo mais o grande Mario Barros, Osmar Carvalho e Toninho
Rocha, o incrível Argentino Lúcio Yanel, Luiz Cardoso e Aurélio Leal ( Duo
Irmanando Pátrias) , Marcelo Caminha , Maurício Marques (este que escreve) Márcio
Rosado, Daniel Sá, Yamandu Costa, enfim,
uma fila gigante de que criaram uma linguagem que representa nossa cultura.
Tenho a impressão que o violão gaúcho esta ampliando as
fronteiras, considerando o perfil dos alunos que me procuram os músicos que
venho ajudando a aprimorar suas possibilidades, e o numero crescente de métodos
de violão bem elaborados destro da cultura regional gaúcha. Eu só espero
que nosso violão gaúcho continue sendo
uma representação da musica gaúcha do Brasil, com uma identidade aberta,
moderna e cheia de inventividades.
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